Álcool, a droga permitida que mata

Em dois meses, apenas, tomamos conhecimento de inúmeros acidentes de automóvel com vítimas fatais, provocados por uma combinação perigosa: álcool e volante. Tanto as vítimas quanto os condutores, em sua maioria, são jovens que saem para se divertir e não se dão conta de que ao consumir bebidas que contém álcool, ainda que seja uma simples “cervejinha”, como dizem, estão assumindo o risco de matar alguém.

Mesmo com todo o esforço de instituições e do próprio governo do Estado em realizar campanhas e alertar sobre os perigos do álcool, acidentes continuam acontecendo, pessoas continuam morrendo em decorrência desta falta de responsabilidade por parte daqueles que se sentem inatingíveis pela desgraça.

Ontem, dia 19 de outubro, o governador Geraldo Alckmin sancionou a nova lei sobre o consumo de bebidas alcoólicas por menores, sem dúvida, um avanço para nosso Estado. A lei, aprovada na Assembleia Legislativa, promete punir rigorosamente todos aqueles que a desrespeitarem, comercializando bebidas impróprias aos menores.

Claro que os que estão ao volante são maiores, mas vejo nesta nova legislação não apenas uma forma de punição, mas de doutrina com relação ao uso do álcool, pois sabemos que começa a ser ingerido ainda na infância e na adolescência.

Estudos, realizados pela Organização Mundial da Saúde, apontam que o alcoolismo é a segunda causa de morte evitável em todo o mundo, atrás apenas do tabagismo. Segundo a Secretaria da Saúde, no estado de São Paulo, uma pessoa é internada por problemas decorrentes do uso do álcool a cada 20 minutos. Os motivos vão desde intoxicação por abuso pontual até cirrose alcoólica, problemas cardíacos e câncer. E, claro, os acidentes, muitos deles fatais, especialmente no trânsito.

A nova lei é um avanço para nosso Estado, mas não podemos nos contentar apenas com essa regra. É necessário que os pais e familiares atuem efetivamente na formação de seus filhos e jovens, dando a eles os limites e apontando os riscos de dependência que o álcool causa.

Infelizmente, o álcool, que é uma droga, não é tratado como tal. Ele é permitido, tendo, inclusive, forte apelo na mídia e publicidade para seu consumo, que tem como público-alvo os próprios jovens. É lamentável que ainda tenhamos essa propaganda enganosa, que associa “mulheres bonitas”, “espírito de aventura” e “alegria” a essa droga. É lamentável que tenhamos a indústria da bebida patrocinando grandes eventos musicais, cujo principal público é a juventude, e eventos esportivos, que nunca deveriam ter como parceiro um produto que mata e destrói o ser humano e a vida.

Dilmo dos Santos
Deputado Estadual (PV)

Comentários